Um monumento,
dizem os livros, é uma obra de
beleza imponente, grandeza ou antiguidade,
destinada a perpetuar a memória
de alguém ou a comemorar um facto
notável. Pode, também, constituir
um documento; pois que serve de prova
a determinado facto ou acontecimento ocorrido.
Mesmo antes de Heródoto vir ao
mundo e ter “inventado” a
história, já lá vão
mais de dois mil e quinhentos anos, havia
e há monumentos que persistem como
documentos de factos e de épocas.
Até na Proto-História e,
com certeza, também na Pré-História.
E considerando a Pré-História,
consideramos o tudo do todo antes; até
ao momento em que, sendo no princípio
o caos, o universo não era mundo
e o mundo era nada.
Mas do nada fez-se tudo;
o todo que somos hoje. Em cada região,
país, cantinho de terra e de mar,
que guarda, para “memória
futura” de um tempo de intemporal
durabilidade, a prova provada do facto
acontecido: o monumento, natural ou feito
pelo homem, que constitui, também,
documento de informação.
Desde as civilizações
pré-clássicas, com especial
realce para a Egípcia com todos
os seus mistérios e imponentes
construções, passando pelas
civilizações clássicas,
a Grega, pois claro, até aos dias
de hoje agora, que nos habituámos
- ou habituaram-nos – a identificar
épocas e factos, através
da visualização e apreciação
dos monumentos que ficaram para a posteridade
de todo o sempre. E tais, são,
obviamente, documentos inquestionáveis.
Não só as pirâmides
ou múmias, como também as
suas típicas pinturas, permitem
afirmar, de imediato, Civilização
Egípcia.
Não só
o Parthenon ou a Acrópole, como
também as esculturas de pensadores
e filósofos-cientistas, permitem
afirmar, seguramente, Civilização
Grega.
Tal como Batalha lembra,
Aljubarrota; e esta, Mosteiro; e este,
Santa Maria da Vitória; que imortaliza
Nuno Álvares; que nos leva até
ao Mestre de Avis; que nos lembra o Rei
Fernando e Dom Pedro e dona Inês;
Afonso IV e Dom Dinis; e as guerras de
pai e filho e os milagres e a rainha santa.
Do mesmo modo, os Jerónimos;
e a Torre de Belém; e o Padrão
dos Descobrimentos; e o Castelo de S.
Jorge; e o Convento de Mafra.
Todos, cada um deles
a seu modo, identificam e documentam um
lugar na história; uma época,
um percurso, descobertas, inovações,
conquista, bravura, ousadia, expansão,
identificação de um povo;
de cada povo, neste caso, o Português.
Porque está –
ou quase –, tudo escrito; e o que
escrito não está em papel
ou pergaminho, encontra-se edificado e
erguido em muralhas e pedras coladas.
Quando não é fácil
percebê-lo pela leitura, pode tal
entender-se pela visão; e abrem-se
os livros, folheiam-se as páginas,
sacode-se o pó e colhe-se o ensinamento
e a cultura legada daquilo que nos deixaram.
Contudo, ao contrário
dos monumentos do passado que tudo nos
transmitem ao primeiro olhar, existem
os monumentos do presente que nada dizem
nem ao primeiro, nem ao último
olhar nem olhando de forma alguma.
Alguns exemplos:
Parque das Nações,
Lisboa, Avenida Dom João Segundo:
Alguém consegue identificar um
“monte” de ferros retorcidos,
com esse grande e importante estadista
português, verdadeira alma impulsionadora
dos descobrimentos e da expansão
portuguesa?
Avenida Infante Dom Henrique,
Lisboa: Alguém consegue identificar
uma “coisa” esquisita –
pomba, gaivota? – com os construtores
da cidade?
Póvoa de Sta Iria:
Alguém consegue identificar uma
“coisa ovalada”, feita em
cimento, com o vinte e cinco de Abril?
É certo que nada
percebo de arte; mas gostava de continuar
a olhar para os monumentos nacionais e
conseguir identificá-los com a
história do Meu País; e
para isso não tenho que ser perito
em belas artes!