Com
esta ficção poética, os autores
iniciam, em conjunto, uma actividade literária
prometedora.
Envolvendo-se,
e envolvendo o leitor, nas disfunções
de três Mundos , acabam por
abrir frestas para a magia de uma madrugada que transformou
as nossas vidas. Dessa madrugada destacam um Homem
que ousou exceder os limites que o Mundo
Perfeito rigidamente lhe marcava.
Em
sua companhia, com palavras de sons modulados, vamos
sabendo como iniciou, com os seus companheiros, um
trajecto de colisão, como todos decidiram enfrentar
a máquina da desesperança, como conseguiram
libertar-se e libertar a praça cercada.
Mundos
é um hino à liberdade e ao
Homem capaz de a recuperar, construir e manter.
As
flores nos canos das espingardas situam-nos num dia
concreto que os autores não chegam a pronunciar.
Só nós, que estivemos lá, ou
que sabemos o que isso significa, conseguimos determinar
onde se situa o centro do mundo e quem é o
Homem a quem fizeram uma estátua.
O
caminho que percorremos, deslumbrados pelas pradarias
que nos desafiam, devolve-nos a nós próprios,
na recusa dos mundos perfeitos e na certeza da luta
permanente.
O
mundo novo é apenas uma terra redescoberta
onde habitamos e temos esperança, onde nos
movemos e participamos. Pelo caminho ficou um herói
de um madrugada de magia. E foram ficando depois outros
heróis, que são os heróis dos
dias das nossas vidas.
Ser
Homem ou ser Cavalo não é uma grande
diferença. A diferença, a grande diferença,
está em ser livre ou não ser livre.
Mundos é sobretudo isso -
um Hino à Liberdade...
-Aniceto Afonso-