Onde
o imaginário se estende em divagação
nas tardes de entardecer e nos dias de
recordar. Onde o homem se senta de costas
para terra e de frente para a água
corrente. Onde as plantas e os lagos do
jardim guardam a memória viva das
recordações nostálgicas.
Onde o menino recorda o adeus que disse
um dia, no cortejo de flores e de lágrimas
que lhe abreviaram, por má sorte,
a vida que tinha para viver.
Cortejo de mágoas e de sonhos por
cumprir.
Ali, na terra humedecida de suspiros e
beijada pelas águas já salgadas
de um mar que um dia se fez Português.
Ali, naquele canto avistado pelo verde
de um olhar perdido na imensidão
do azul-marinho. Ali, no local que um
dia reuniu em simultâneo, a saudade
dos que partiram e ternura pelos que ficaram.
Ali, onde as palavras brotaram alinhadas
em frases de saudade, escritas e debitadas
em textos que um dia seriam lidos.
Textos de nada que em nada se tornaram.
No lugar que serviu de emoção
ao crescimento das sensações
desejadas e experimentadas de um homem
que um dia ousou sonhar. No lugar que
deslizou em corrente de cristais líquidos
por entre a cascata de inverdades que
o som do clarim nunca mostrou. No lugar
que ficou molhado pela espuma das ondas
silenciosas que rebentaram no areal disperso
dos sons desacreditados. No lugar desordenado
das ideias prepotentes, assentes e vinculadas
num só eu.
Ideal desencantado de um espírito
virtual, criativo e imaginário.
Escutando os uivos do vento que assobiava
a canção dos aventureiros
e daqueles que buscavam a quimera sonhada
por entre noites de lua nova. Escutando
o voltear das páginas que não
foram escritas nem coladas em livros de
inventar. Escutando os uivos de vento
que borbulhava em remoinho por entre o
pó levantado do chão na
sombra dos que emudeceram. Escutando as
recordações que esmoreciam
em cor cinzenta esvaída por entre
emoções de cada turbilhão
de sentimentos.
Universo de vontades diluído em
arco-íris de baço olhar.
Vivendo o último dia de uma vida
que fora companheira permanente da criança
que quis ser homem. Vivendo o agigantar
do sonho que se desenhou no olhar do menino
que cresceu saudoso da face que mal beijou.
Vivendo o aroma do evoluir de uma viagem
começada e percorrida em passo
de manhã chuvosa. Vivendo o ruído
de cada dia que em cada tarde findada,
lhe lembrava o toque de silêncio
das manhãs que não surgiram.
Emoção de entardecer, com
saudade de madrugada.