Abril, sempre por abril e pela Nossa História

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MUNDOS

1. A História é sábia e a história não perdoa. Ainda que não nos agrade e nos vergue a passados que não gostamos de lembrar e que nos envergonham...

A Revolução de Abril, acontecida há trinta e um anos no País que Afonso ergueu, marcou um dos acontecimentos mais influenciadores da história do século vinte Português, protagonizada por uma das suas mais ricas gerações de militares. Muitos deles injustiçados, marginalizados, esquecidos, estigmatizados, emprateleirados e embrulhados na poeira inerte das coisas estagnadas.

A par da Revolução de Abril, a implantação da República marcou o fim de um ciclo e o início de outro; os dois sucessos com consequências diferentes mas ambos com objectivos comuns: democracia.

Se na implantação da república, a turbulência que sempre marca as tempestades de um povo não habituado a pensar e a agir em grupo tendo por base pensamentos maioritários, acabou numa ditadura disciplinadora de finanças mas castradora de pensamentos, na Revolução de Abril a turbulência foi vencida em pouco mais de dois anos de finca-pé e de euforismo à toa, dando lugar, lentamente e passo-a-passo, ao estado que somos hoje; “ao estado a que chegámos” por iniciativa dos homens que na altura com trinta anos fizeram aquilo que alguém, algum dia, teria de fazer. Hoje têm sessenta anos – alguns, porque outros ficaram pelo caminho; lembre-se Melo Antunes e sobretudo Salgueiro Maia. E se os homens deste País não fizerem justiça aos seus heróis, a história o fará; implacável, indiferente e verdadeira.

Encontrei um desses homens há dias atrás; um dos responsáveis pelos destinos do estado quando eu tinha vinte anos; ficou-me o nome. Foi-me apresentado por um amigo comum, alguém que o conhecia muito bem – é da mesma geração – e que me perguntou, “Conhece”, “Conheço o nome”, disse eu, “Mas não o consigo identificar”, acrescentei, “O...”, mas não foi preciso continuar, “Já sei, do Conselho da Revolução”, disse eu.

Estes homens cumpriram aquilo a que se propuseram; terminaram e começaram, começaram e terminaram; o tudo por fazer e o tudo feito. Acabaram com “o estado a que chegámos” entregando a gestão do País à sociedade civil; tal como constava nas escrituras.

2. A História é sábia e a história não perdoa. Por iniciativa do Arquivo Histórico Militar, apoiado pela sua Liga de Amigos – LAAHM – está, desde há dois anos em desenvolvimento, o Projecto Recolha; um projecto destinado a inventariar, tratar, catalogar e estudar, o espólio documental de pessoas particulares que, pelas mais diversas razões, guardaram os documentos que podem ajudar a fazer a história. Sobretudo, Faltam Detalhes – lema do projecto – importantes, pequenas coisas que, juntas, ajudarão os historiadores a inventariar a memória colectiva. Desde Afonso a Sampaio.

É um projecto em que qualquer pessoa pode colaborar através da doação, temporária ou definitiva, do seu espólio documental: cartas, aerogramas, diários, memórias, fotografias, diapositivos (slides), postais, filmes, etc.

A documentação é depositada no Arquivo, mas continua propriedade do respectivo depositante, que, em qualquer altura, pode reaver a sua posse. O Arquivo garante o seu tratamento, organização e inventariação. No acto de depósito, o proprietário recebe uma declaração de recepção. Logo de seguida pode ser assinado um protocolo de depósito.

Por outro lado, o Arquivo Histórico Militar garante a absoluta confidencialidade da documentação depositada, só permitindo o acesso a pessoas autorizadas pelo proprietário do espólio documental.

Todos juntos, podemos ajudar a fazer – ou refazer – A Nossa História. Não é uma questão de ideologia política; é uma questão de verdade de rigor!

Actualização: 06-Nov-2005 . Comentários / sugestões: ajsbranco@mundos.info