…Principalmente
ao meu universo de leitores; àqueles
que, inadvertidamente carregando numa
ligação que poderia parecer
interessante, ou propositadamente acedendo
a este espaço onde a minha voz
em forma de escrita, toma forma.
Porque um escritor vive em função
dos seus leitores; daquilo que, escrevendo,
consegue fazer chegar junto dos que procuram
interpretar a sua mensagem. Não
importa – na realidade, isso é
o menos importante – se concordam
ou não com os seus escritos, importa
que leiam, que apreciem, que contestem
mas que, acima de tudo, lhe atribuam importância.
Não me considero
– de modo algum – um cronista;
um daqueles sapientes que, com fundamentação
ou sem ela, opinam sobre muitos e variados
assuntos, fazendo sempre jus a uma razão
que, pela força da argumentação,
parece estar sempre animada de verdade
absoluta e inquestionável. Limitado,
por razões éticas e deontológicas
a textos que não colidam com áreas
de risco, nem por isso têm faltado
assuntos de opinião, capazes de
serem debitados e alinhados, caracter
a caracter ou frase a frase, na construção
de textos que não defraudem –
pelo menos não completamente –
aqueles que se atreverem à sua
leitura. E o risco, quanto o autor é
desconhecido das massas, é muito
grande; não por aquilo que escreve
mas por aquilo que não consegue
fazer ler, fazer chegar ao leitor.
Escrevendo num espaço
que não sendo o mais adequado à
divulgação da mensagem literária
mas que, de algum modo, tem conseguido
transmiti-la, grande é o incentivo
em continuar quando chegam junto de nós,
de viva voz ou através da caixa
de correio electrónico, mensagens
de comentário aos textos produzidos;
se concordam ou não, é a
parte menos importante. Bom, é
saber que alguém leu e lhe despertou
interesse em fazer sentir, ao autor, isso
mesmo.
Não foram milhares,
mas foram alguns; não foram multidões,
mas foram bastantes. Aqueles – e
aquelas – que, desconhecendo o “escriba”
o quiseram presentear com um comentário,
um gesto de carinho e de atenção
para com os seus escritos. A concordância
com tais é, repito, uma questão
secundária.
Todos os dias se aprende
e se enriquece em literatura; desde que
se leia e se disponibilize a tal. É
assim que entendo o universo literário,
permanentemente enriquecido com novos
escritos; mesmo daqueles que não
conhecemos ou que conhecemos mal.
Ao Diário Digital,
na pessoa do seu anterior director - Hermínio
Santos - que inicialmente me concedeu
este espaço, e actualmente na pessoa
do seu actual director – Filipe
Rodrigues da Silva – que me permitiu
mantê-lo; Aos leitores que, concordando
ou não com as minhas posições
opinadas me dirigiram comentários
que muito prezo; Aos leitores que, para
além dos comentários dirigidos,
se interessaram, também, pela minha
actividade literária; Aos leitores
que, não comentando os escritos
mas lendo-os e atribuindo-lhes importância,
declaro, hoje e neste escrito, o meu muito
obrigado pela atenção que
comigo mostraram.
Pretendo continuar –
é sempre preciso continuar –,
desta ou de outra forma, a transmitir
ao papel a voz que em mim corre; a voz
que quero que corra, livre, livremente,
por todo o espaço de um mundo que
não se limita ao alcance do imediato
que os olhos vêem, mas ao infinito
e mais além onde só o sonho
consegue fazer chegar. “Não
deixe nunca de sonhar”, disse-me,
escrevendo, a Cristina. Prometo cumprir.
A todos, desejo aquilo
que para mim pretendo: o melhor dois mil
e seis do mundo e arredores!